Procurações & Escrituras

9 tipos de procuração específica que existem e quando usar cada um

ResumoA procuração específica é um instrumento jurídico que concede poderes limitados e determinados a um representante. Os 9 tipos mais comuns incluem procuração bancária, para venda de imóvel, para recebimento de valores, para representação em juízo, para divórcio, para inventário, para retirada de documentos, para assinatura de contratos e para participação em assembleias. Cada tipo deve ser utilizado conforme a necessidade específica do ato a ser praticado.

Procuração específica é o instrumento que concede poderes limitados a um representante. Conheça os 9 tipos mais comuns, da procuração bancária à de divórcio, e saiba qual usar em cada caso.

Renata Quadros por Renata Quadros · Redatora de conteúdo jurídico · · 4 min de leitura
Cláusula de preferência em imóvel: como registrar passo a pa

Cláusula de preferência em imóvel: como registrar passo a pa · imagem ilustrativa

Uma procuração específica é o documento que concede poderes limitados e determinados a um representante, diferente da procuração geral (que abrange todos os atos da vida civil). Abaixo, os 9 tipos mais comuns de procuração específica, ordenados por frequência de uso e relevância prática.

1. Procuração para administração de bens

Concede ao procurador poderes para gerenciar imóveis, veículos ou outros ativos do outorgante. O documento deve descrever exatamente quais bens estão sob administração e se autoriza aluguel, venda ou apenas manutenção. Sem essa especificação, o procurador não pode alienar os bens.

2. Procuração ad judicia (para representação em juízo)

Outorga poderes ao advogado para atuar em processos judiciais. É obrigatória para qualquer ação, e o instrumento deve mencionar o número do processo ou a natureza da causa. Se não houver cláusula específica, o advogado não pode transigir ou receber valores.

3. Procuração bancária

Permite que o procurador realize operações em instituições financeiras: abertura de contas, saques, aplicações e pagamentos. Cada banco exige modelo próprio, e a procuração deve listar as agências e contas abrangidas. Sem essa delimitação, o procurador não pode movimentar contas de terceiros.

4. Procuração para compra e venda de imóveis

Instrumento que autoriza o procurador a assinar escritura de compra e venda, permuta ou doação de um imóvel específico. Deve conter a matrícula do imóvel, o preço e as condições do negócio. Se for omissa quanto ao valor, o procurador pode negociar livremente.

5. Procuração para divórcio

Concede poderes ao advogado para requerer o divórcio extrajudicial (em cartório) ou judicial. A procuração deve especificar se abrange partilha de bens, guarda de filhos e pensão alimentícia. Sem essa especificação, o advogado não pode acordar a partilha.

6. Procuração para declaração de imposto de renda

Autoriza o procurador a transmitir a declaração anual do IRPF, retificar declarações e resolver pendências com a Receita Federal. Deve ser específica para o exercício fiscal e conter o CPF do outorgante. Não serve para outros atos fiscais.

7. Procuração para retirada de documentos

Permite ao procurador solicitar e receber certidões, RG, CNH, passaporte ou outros documentos em órgãos públicos. Deve indicar o órgão e o documento desejado. Se for genérica, o cartório pode recusar o atendimento.

8. Procuração para representação em assembleias

Concede poderes ao procurador para votar em assembleias de condomínio, associações ou sociedades empresariais. Deve especificar a pauta e os limites do voto (propostas que pode aprovar ou rejeitar). Sem essa cláusula, o voto pode ser questionado.

9. Procuração para recebimento de valores

Autoriza o procurador a receber salários, aluguéis, indenizações ou qualquer quantia em nome do outorgante. O documento deve mencionar o valor máximo, a fonte pagadora e o período de validade. Se for ilimitada, o procurador pode receber valores indefinidamente.

Como escolher o tipo certo de procuração específica

Analise o ato que precisa ser praticado e liste os limites que deseja impor. Quanto mais detalhada a procuração, menor o risco de o procurador agir além do autorizado. Em caso de dúvida, consulte um tabelião ou advogado antes de redigir o instrumento.

FAQ

Qual a diferença entre procuração pública e particular?

A procuração pública é lavrada em cartório de notas, tem fé pública e é exigida para atos imobiliários e judiciais. A particular é feita pelas partes, sem intervenção do tabelião, e vale para atos de menor complexidade, como recebimento de documentos.

Procuração específica pode ser revogada?

Sim, a qualquer momento, pelo outorgante, mediante instrumento de revogação. A revogação deve ser comunicada ao procurador e a terceiros interessados para surtir efeitos.

É possível ter mais de um tipo de poder em uma única procuração?

Sim. Uma procuração pode reunir vários poderes específicos, desde que cada um seja descrito claramente. O documento passa a ser uma procuração com múltiplos poderes específicos.

Procuração específica tem prazo de validade?

Não há prazo legal fixo, mas o outorgante pode estabelecer um prazo de validade. Na prática, recomenda-se renovar a procuração a cada dois anos para evitar dúvidas sobre a vigência.

O que acontece se o procurador agir além dos poderes concedidos?

O ato é considerado nulo em relação ao outorgante, e o procurador pode responder por perdas e danos. Terceiros de boa-fé podem exigir indenização do procurador.

Procuração específica precisa ser registrada em cartório?

Depende do ato. Para imóveis, é obrigatório o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Para atos bancários ou administrativos, basta o reconhecimento de firma.

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