Registro de Imóveis

Hipoteca primeiro grau: guia completo para registrar

ResumoHipoteca primeiro grau é um registro formal que permite usar imóvel como garantia em financiamento. O processo exige escritura pública, certidão de matrícula atualizada, comprovantes de quitação de tributos e contrato assinado em cartório. Erros comuns incluem falta de averbação de obras e pendências judiciais, que atrasam a análise. O registro ocorre no Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição do bem.

Registrar uma hipoteca de primeiro grau é o caminho para usar o imóvel como garantia em um financiamento. Este guia mostra cada etapa, os documentos exigidos e os erros que atrasam o processo.

Renata Quadros por Renata Quadros · Redatora de conteúdo jurídico · · 5 min de leitura
9 tipos de escritura que você precisa conhecer

9 tipos de escritura que você precisa conhecer · imagem ilustrativa

Registrar uma hipoteca de primeiro grau é o procedimento que transforma um imóvel em garantia formal para um empréstimo ou financiamento. Quando o registro é feito, o credor ganha prioridade sobre outros credores que venham a hipotecar o mesmo bem depois. Este guia cobre o passo a passo completo, desde a preparação dos documentos até a averbação final na matrícula.

O que é hipoteca de primeiro grau?

A hipoteca de primeiro grau é a primeira inscrição de garantia real sobre um imóvel. Se o proprietário já tiver uma hipoteca registrada e fizer outra, a primeira será de primeiro grau e a seguinte, de segundo grau, e assim por diante. Isso importa porque, em caso de execução, o credor de primeiro grau recebe primeiro com o produto da venda do bem.

Passo 1: Verifique a matrícula do imóvel

Antes de qualquer providência, obtenha a certidão de matrícula atualizada do imóvel no cartório de registro de imóveis da circunscrição onde o bem está localizado. A matrícula mostra se há ônus anteriores, como penhoras ou outras hipotecas. Se houver, o novo registro será de segundo grau ou inferior, o que reduz a prioridade do credor.

Dica: peça a certidão com pelo menos 10 dias de validade, pois muitos cartórios exigem que ela seja recente no momento do protocolo.

Passo 2: Providencie a escritura pública

A hipoteca de primeiro grau exige escritura pública lavrada em tabelionato de notas, salvo quando o financiamento é feito por instituição financeira, caso em que pode ser usado instrumento particular com força de escritura, desde que a instituição seja autorizada a operar no país. A escritura deve conter a qualificação completa das partes, a descrição do imóvel e o valor da dívida garantida.

Erro comum: a descrição do imóvel na escritura precisa ser idêntica à da matrícula. Qualquer divergência de metragem ou confrontação obriga a retificação antes do registro.

Passo 3: Reúna os documentos pessoais

Para o registro, são necessários documentos de identificação de todas as partes, como RG, CPF e certidão de casamento ou união estável atualizada, se for o caso. Se o imóvel pertencer a mais de uma pessoa, todos os proprietários devem comparecer ou ser representados por procuração com poderes específicos.

Dica: certidões de casamento emitidas há mais de 90 dias podem ser recusadas. Verifique a data antes de protocolar.

Passo 4: Recolha os tributos e emolumentos

O registro de hipoteca está sujeito ao ITBI (imposto de transmissão inter vivos) no município do imóvel, se a operação envolver transmissão, e aos emolumentos cartorários, que variam por estado. O valor dos emolumentos é tabelado e pode ser consultado no site do cartório ou da corregedoria local. Não há um valor fixo nacional.

Erro comum: muitos atrasam o processo por não prever o ITBI. Consulte a prefeitura antes de protocolar para saber se a operação incide no imposto.

Passo 5: Protocole o título no cartório de registro de imóveis

Com a escritura, a matrícula e os documentos pessoais em mãos, leve o título ao cartório de registro de imóveis da circunscrição do imóvel. O oficial fará a qualificação registral, verificando se todos os requisitos formais foram atendidos. Se estiver tudo certo, o registro é feito e averbado na matrícula.

Dica: o prazo para o cartório concluir o registro é de até 10 dias úteis, mas pode ser prorrogado se houver exigências a cumprir. Acompanhe o protocolo com o número gerado no atendimento.

Passo 6: Confira a averbação na matrícula

Depois do registro, o cartório devolve a matrícula com a averbação da hipoteca. Confira se o número do contrato, o valor da dívida e a data de vencimento estão corretos. Qualquer erro deve ser corrigido imediatamente, pois a matrícula é o documento que comprova a prioridade do credor.

Erro comum: guardar a matrícula sem conferir os dados. Uma divergência no valor pode invalidar a garantia em uma execução futura.

Checklist final

Antes de encerrar, verifique que você:

  • Obteve a certidão de matrícula atualizada;
  • Lavrou a escritura pública ou instrumento particular, conforme o caso;
  • Reuniu os documentos pessoais de todas as partes;
  • Recolheu o ITBI, se devido, e os emolumentos;
  • Protocolou o título no cartório correto;
  • Conferiu a averbação na matrícula.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre hipoteca de primeiro grau e segundo grau?

A diferença está na ordem de prioridade. A hipoteca de primeiro grau é a primeira registrada sobre o imóvel. Em caso de venda judicial, o credor de primeiro grau recebe primeiro. A de segundo grau só recebe se sobrar valor após o pagamento da primeira.

É possível registrar hipoteca de primeiro grau em imóvel financiado?

Sim, é possível, desde que o financiamento original não tenha cláusula de impenhorabilidade ou vedação expressa. Nesse caso, a hipoteca será de segundo grau, pois a instituição financeira que financiou o bem já tem a primeira garantia.

Quanto custa registrar uma hipoteca de primeiro grau?

O custo varia conforme o estado e o valor do imóvel. Os emolumentos são tabelados pela corregedoria local, e o ITBI, se aplicável, é definido pelo município. Não há um valor único no país. Consulte o cartório e a prefeitura para estimar o custo total.

Hipoteca de primeiro grau é o mesmo que alienação fiduciária?

Não. Na alienação fiduciária, o imóvel é transferido ao credor em caráter de propriedade resolúvel, enquanto na hipoteca o bem permanece em nome do devedor. A alienação é mais comum em financiamentos imobiliários, mas a hipoteca ainda é usada em outras operações de crédito.

Quanto tempo leva o registro de hipoteca?

O prazo legal é de até 10 dias úteis, mas pode ser maior se o cartório fizer exigências. Atrasos comuns incluem divergência na descrição do imóvel ou documentos desatualizados. Com tudo em ordem, o registro costuma ser concluído dentro do prazo.

O que acontece se o devedor não pagar a dívida hipotecária?

O credor pode executar a garantia, pedindo a venda judicial do imóvel. Com o produto da venda, o credor de primeiro grau é pago antes dos demais credores. O devedor tem direito de quitar a dívida a qualquer momento antes da assinatura da carta de arrematação.

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