Nua propriedade registro: guia completo passo a passo
Registrar a nua propriedade exige entender a separação entre domínio e usufruto. Este guia mostra o caminho completo, da escritura ao registro no cartório, com os erros mais comuns.
Nua propriedade registro: guia completo passo a passo · imagem ilustrativa
Registrar a nua propriedade é o ato que separa o domínio do imóvel do direito de usar e fruir. Quem detém a nua propriedade tem o bem, mas não pode usá-lo enquanto durar o usufruto. O registro é feito no cartório de registro de imóveis da comarca do imóvel, e o processo exige atenção a detalhes documentais e de procedimento.
Este guia cobre o passo a passo para formalizar a nua propriedade, desde a escritura até a averbação do usufruto. Ao final, você terá um checklist prático para evitar retrabalho.
Passo 1: Verifique a matrícula do imóvel
Antes de qualquer providência, obtenha uma certidão de matrícula atualizada no cartório de registro de imóveis. Confira se não há ônus, penhoras ou indisponibilidades que impeçam a transferência. A matrícula deve descrever o imóvel com exatidão, incluindo área, limites e confrontações.
Erro comum: iniciar o processo sem a certidão atualizada, o que pode atrasar a lavratura da escritura.
Passo 2: LAVRE A ESCRITURA PÚBLICA (OU TENHA TÍTULO HÁBIL)
A nua propriedade é transferida por escritura pública de compra e venda, doação ou dação em pagamento, lavrada em tabelionato de notas. No caso de usufruto reservado, a escritura deve expressamente separar o domínio do usufruto. Em situações específicas, outros títulos hábeis podem ser admitidos, mas a via ordinária é a escritura pública.
Dica: o usufruto não exige escritura própria; ele é averbado na mesma matrícula, a partir da escritura que o reserva.
Passo 3: Reúna os documentos pessoais
Para pessoas físicas: RG, CPF, certidão de casamento ou união estável atualizada, e, se for o caso, pacto antenupcial. Para pessoas jurídicas: contrato social e documentos de seus representantes. Se o imóvel for financiado, é preciso autorização do banco.
Erro comum: levar certidão de casamento antiga, sem averbação de divórcio ou óbito, o que pode invalidar o ato.
Passo 4: Pague os tributos devidos
O ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) é municipal e incide sobre a transferência. A alíquota varia conforme o município. O recolhimento é prévio ao registro. Em alguns casos, há também ITCMD (estadual) em doações ou heranças.
Ressalva: valores e prazos de pagamento variam; consulte a prefeitura e a secretaria da fazenda estadual.
Passo 5: Protocolize o registro no cartório
Com a escritura e os comprovantes de pagamento, protocolize o registro no cartório de imóveis. O oficial analisará a documentação e a matrícula. Se houver exigências, você será notificado para cumprir em prazo determinado. Após o registro, o usufruto é averbado na mesma matrícula, constando o nu-proprietário como titular do domínio e o usufrutuário como titular do direito real.
Dica: acompanhe o prazo de validade dos documentos; certidões vencem em até 30 dias, conforme o caso.
Checklist final
- [ ] Certidão de matrícula atualizada sem impedimentos.
- [ ] Escritura pública lavrada com reserva de usufruto (se aplicável).
- [ ] Documentos pessoais e de estado civil em dia.
- [ ] ITBI ou ITCMD recolhidos.
- [ ] Protocolo do registro e cumprimento de eventuais exigências.
- [ ] Averbação do usufruto na matrícula.
Perguntas frequentes
O que é nua propriedade?
É o direito de propriedade sem o uso e a fruição do bem. O nu-proprietário pode vender ou doar o imóvel, mas não pode morar nele ou alugá-lo enquanto durar o usufruto.
Usufruto precisa de registro separado?
Não. O usufruto é averbado na mesma matrícula do imóvel, por meio do registro da escritura que o constitui. Isso vale para usufruto vitalício ou temporário.
Qual é o custo do registro?
O custo varia por estado e valor do imóvel. Inclui emolumentos cartorários, ITBI e, em alguns casos, ITCMD. Não há tabela única nacional.
Posso vender a nua propriedade antes de registrar?
A venda só produz efeitos perante terceiros após o registro. Sem registro, o negócio é válido entre as partes, mas não oponível a terceiros.
Como funciona o usufruto vitalício?
O usufruto vitalício dura até a morte do usufrutuário. Com o falecimento, o usufruto se extingue e o nu-proprietário passa a ter o domínio pleno, sem novo registro obrigatório, mas com averbação do óbito na matrícula.